Biotecnologia
pode ser a salvação do pomar
A biotecnologia está sendo
encarada por especialistas de instituições brasileiras e do exterior como a
salvação da citricultura, ameaçada pelo implacável greening. Artigo publicado
em 28 de julho no jornal americano The New York Times e intitulado “A race to
save the orange by altering is DNA” (“A corrida para salvar a laranja por meio
da modificacão de seu DNA”, em português) fala em “emergente consenso
científico” sobre a engenharia genética ser necessária para combater a ameaça
da doença. “As pessoas vão beber suco de laranja transgênico ou passar a beber
suco de maçã”, teria declarado um pesquisador da Universidade da Flórida,
segundo o jornal norte-americano.
O greening, também conhecido como
Huanglongbing (HLD) e de origem chinesa, é a mais devastadora doença que
atormenta citricultores de todo o mundo. Causada pelas bactérias Candidatus
Liberibacter asiaticus e Candidatus Liberibacter americanus, transmitidas para
as plantas pelo psilídeo Diaphorina citri, afeta os frutos, que tem seu
desenvolvimento comprometido, podendo cair prematuramente ou permanecer verde
após a maturação (daí a origem do nome “greening”), e apresentar gosto amargo.
Não há variedade comercial de copa ou porta-enxerto resistente e as plantas
contaminada não podem ser curadas.
A doença tem causado muitos
prejuízos à segunda maior citricultura do planeta, a da Flórida (o maior
produtor mundial é o Estado de São Paulo), uma indústria de US$ 9 bilhões e que
emprega cerca de 76 mil pessoas.
Em busca de uma solução para o
problema – contornado hoje com erradicação de árvores e aplicação de
inseticidas – os pesquisadores americanos bem que procuraram por uma planta
naturalmente imune à bactéria causadora do greening, mas não acharam. Assim, o
desenvolvimento de uma planta geneticamente modificada com um gene de um
organismo resistente seria a única solução.
Mas não é tão fácil: a pesquisa é
lenta, especialmente por se tratar de uma planta perene, e cara; é preciso a
aprovação dos órgãos regulatórios; e vencer a possível resistência da população
com relação a tomar um suco de laranja transgênica.
A indústria de suco de laranja
dos EUA teme arranhões à imagem do “suco 100% natural”, que não pode faltar no
café-da-manhã do americano e que ainda patrocina o campeonato anual de futebol
americano Orange Bowl, uma verdadeira instituição na Flórida.
Pesquisas
no Brasil
No Brasil, maior produtor mundial
de laranja, instituições como o Centro de Citricultura do Instituto Agronômico
(IAC) e a Embrapa se dedicam a pesquisas por uma laranja transgênica resistente
a pragas. Na unidade de pesquisa do IAC, em Cordeirópolis (SP), o Laboratório
de Biotecnologia trabalha desde 1991 com pesquisas por uma laranja
geneticamente modificada, resistente a pragas e segura para consumo,
principalmente baseada em cisgenia, que, ao contrario da transgenia, usa genes
da mesma espécie, ou seja, de citros.
A doença foi detectada em 2012 em
7% do parque citrícola paulista, segundo levantamento do Fundo de Defesa da
Citricultura (Fundecitrus), tendo avançado 82% em relação ao ano anterior. O
problema exige, portanto, solução urgente, sendo que a demora nos resultados em
biotecnologia, segundo o diretor do Centro de Citricultura, pesquisador Marcos
A. Machado, está em encontrar e validar genes de interesse em uma planta
lenhosa perene, como os citros, que demora alguns anos para florescer e
frutificar, diferentemente da soja e do milho, para citar as duas mais
populares culturas transgênicas existentes no mercado hoje.
Outro grande complicador, segundo
o pesquisador, é a estabilidade desses eventos de transformação, isto é, não se
sabe se eles se manterão estáveis ao longo do tempo, pois o genoma de citros é
dominado por fração de elementos móveis que poderão – “teoricamente” – alterar
a funcionalidade do novo gene e seu promotor.
As pesquisas do Centro de
Citricultura têm sido apoiadas pelo CNPq e pela Fapesp, e estimadas em cerca de
US$ 10 milhões, em valores históricos. “Não é muito para a importância que o
assunto tem para o Estado de S. Paulo. Realmente falta investimento maciço e
coordenado para acelerar o processo”. A pesquisas são desenvolvidas em parceria
com instituições como Esalq/USP, Unicamp, Embrapa e Universidade Estadual de
Santa Cruz, em Ilhéus (BA). “Não temos parcerias com o setor privado. Esse
prefere comprar a tecnologia da Espanha”, diz Machado.
Para ele, as grandes empresas
multinacionais de sementes, como Monsanto, Bayer, BASF e Syngenta, que se
dedicam ao desenvolvimento de plantas geneticamente modificadas, não se
interessariam em investir em uma laranja transgênica, porque a participação da
commodity suco de laranja é muito pequena no mercado mundial quando comparado
com soja, milho ou algodão, por exemplo.
Além disso, as dificuldades da pesquisa com citros e o fato dessas
plantas serem propagadas vegetativamente, o que dificulta a garantia da
propriedade intelectual, devem afastar essas empresas do investimento em uma
laranja transgênica.
“A própria indústria também
sempre teve aversão ao tema OGM, por considerar o aspecto de aceitação pública
do suco de laranja, um produto muito ligado ao conceito de saúde”, completa
Machado, explicando que os principais focos da pesquisa com biotecnologia em
citros no Brasil hoje são tolerância ou resistência a doenças. No entanto,
qualidade de fruta, tanto nos aspectos nutricionais como nos visuais (cor de
casca e de suco), frutas sem sementes e fáceis de descarcar são uma linha muito
perseguida pelos pesquisadores da Espanha, que essencialmente trabalham com
fruta para o mercado de fruta fresca.
Fonte: cenariomt.com.br

Fascinante!!!
ResponderExcluirFascinante!!!
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